Quem eram os Maias e qual o significado de 21 de Dezembro de 2012

Afinal, o que significa a data 21 de dezembro de 2012? Será mesmo uma data apocalíptica? O que os Maias quiseram dizer com isso?

Esta publicação tem o objetivo de elucidar de uma forma simples quem eram os Mais, e o que significa a data de 21 de dezembro de 2012. Ser “simples” quando o assunto é civilização Maia é bastante difícil, uma vez que seus sistemas de calendários e estudos exigem anos de estudo afinco para uma real compreensão.

Quem eram os Maias?

A civilização Maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, que despertou muito a atenção por sua língua escrita e conhecimentos atronômicos. Eles criaram o único sistema de escrita do novo mundo pré-colombiano que podia ser falado perfeitamente, como os idiomas do velho mundo – termo que define o mundo conhecido pelos europeus até ao século XV. Além do primeiro observatório que se tem notícia no velho mundo.

A cultura artística, matemática e arquitetura também despertam a atenção de muitos pesquisadores até os dias de hoje. Sua história inicia-se durante o período pré-clássico (1000 a.C. a 250 d.C.), atingindo seu auge durante o período clássico (250 d.C. a 900 d.C.), quando eram uma da civilizações mais povoada e dinâmicas culturamente do mundo.


Mapa da civilização Maia com seus principais centros.


A Criação do Número Zero

Os Maias foram os primeiros no mundo a criarem a abstração do número Zero. Cientistas e pesquisadores ainda não sabem explicar como conseguiram tal conhecimento, já que o numero zero só apareceu séculos depois em outras culturas (nem mesmo os egípcios possuíam este conhecimento).

Diferentemente dos dias atuais, o sistema de conta Maia era vigezimal, ou seja, de 0 a 20. A contagem maia pode ser facilmente compreendida, conforme imagem abaixo:


Contagem dos números Maias. Primeira civlização a “descobrir” o Zero.


Escrita Maia

O sistema de escrita maia é extremamente complexo e por sua semelhança com a escrita do antigo Egito, muitos a chamam de hieroglífica, pois era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas.

A escrita maia só foi realmente decifrada nas décadas de 1960 e 1970, sendo que o processo de investigação no final do século XIX e início do século XX decifraram apenas alguns conhecimentos astronômicos e numerais.

Infelizmente, após a invasão espanhola liderada por Francisco Hernández de Córdoba, em 1517, os sacerdotes europeus interessados na conversão religiosa ordenaram a destruição de todos os códices Maias após a conquista.

Veja abaixo uma imagem da escrita Maia encontrada em Palenque, México.




Astronomia Avançada

A grandiosidade intelectual dos Maias certamente está relacionada com o domínimo que possuíam sobre a astronomia. Conseguiram entender com grande precisão o movimentos dos astros e realizam análises complexas do espaço com conhecimento matemático muito avançados.

A precisão e complexidade é tão grande que até hoje existem mitos pesquisadores decifrando e tentando compreender como os Maias conseguiram tamanha precisão há mais de 2 mil anos.

Foram os criadores do primeiro observatório astronômico entre as civilizações pré-colombianas, e todas construções de seus templos eram relacionadas as posições dos astros e também aos fenômenos de precessão de solstício e equinócio, tidos como muito importantes para os Maias, assim como os eclipses.

Veja abaixo foto do observatório Maia, localizado no templo de Chichén Itzá, no México:


Observatório Maia em Chichen Itza


Calendários Maia – Ciclos, ciclos, ciclos

“O povo Maia era extremamente preocupado em localizar todos os eventos num padrão cosmológico criado para garantir a regeneração da vida. O tempo passado e futuro eram fixos num padrão discernível que podia ser lido e previsto.” David Carrasco, Religions of Mesoamerica

Os Maias tinham uma obsessão pela contagem precisa do tempo. Foram encontrados mais de trinta tipos de calendários Maias. Tudo são cíclicos. De todos os calendários da antiguidade, os calendários Maia são, sem dúvida, o mais complexos e até hoje impressiona pesquisadores.

Por essa complexidade e pelo sumiço ainda não explicado pela ciência antes da chegada dos espanhóis (as cidades Maias estavam simplesmente abandonadas, sem sinal de guerra ou corpos) temos um conhecimento incompleto dele, e os debates continuam.

É importante frisar que não se tratava de apenas um calendário, mas vários, todos com um objetivo e aplicação específicos. No entanto, muitos destes calendários estavam integrados e podiam ser lidos em uma espécie de engrenagem.

Vamos ver os principais separadamente:

Tzol’kin – ciclos de 260 dias

Este era considerado o calendário sagrado dos Maias. O esquema deste calendário breve é muito curioso. Cada dia recebe um número de 1 a 13 e um nome tomado da lista seguinte: Imix, Ik, Ak’bal, Kan, Chikchán, Kimi, Manik’, Lamat, Muluc, Ok, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Kib, Kabán, Etz’nab, Kauac, Ahau. Os dia podiam ser lidos como abaixo:


1 Imix

2 Ik’

3 Ak’bal

4 K’an

5 Chikchán

6 Kimi

7 Manik’

8 Lamat

9 Muluc

10 Ok

11 Chuen

12 Eb

13 Ben

1 Ix

2 Men

3 Kib

4 Kabán

5 Etz’nab

6 Kauac

7 Ahau

8 Imix

9 Ik

A contagem prossegue até esgotar todas as combinações possíveis dos 13 números e 20 nomes. Como 13 e 20 são números sem divisores comuns, a série se repete então ao fim de 20 x 13 = 260 dias. O dia de numero 260 era chamado de Ahau e recomeçando com 1 Imix).


Tzol’kin, calendário Maia com ciclo de 260 dias. A figura centra representa um homem carregando o Tempo.


A origem deste ciclo ainda é motivo de debate e especulações, mas algumas ideias são mais bem aceitas, como a que diz que os 260 dias do calendário correspondem aproximadamente ao tempo de gestação do ser humano, e ao cultivo de muitas culturas locais (como o milho), mas também existe teorias relacionada a trajetória de Vênus e movimentos do Sol.

O que se sabe é que os Maias escolhiam o nome de seus filhos usando o Tzol’kin e também as data das festividade e rituais sagrados. Para os Maias cada dia do calendário tem uma vibração e é utilizado até hoje por alguns habitantes da Guatemala para indicar momentos propícios para determinada atividades, como por exemplo, pedir a mão da mulher ou iniciar um grande projeto.

O Haab

O segundo calendário maia tem uma duração de 365 dias, muito próximo do ano do trópico solar (365,2422). É dividido em 18 meses de 20 dias (360 dias) e uma semana final de 5 dias chamados Uayeb, completando os 365. O nome dos meses está na seguinte tabela (de esquerda para direita, de cima para abaixo)


Pop

Uo

Sip

Sot

Sek

Xul

Yax’kin

Mol

Ch’en

Yax

Sak

Keh

Mak

Kan’kin

Muuan

Pax

K’ayab

Kumk’u

A semelhança com o nosso calendário gregoriano pode ser observada também pela contagem numeral dos dias (até 19), ou seja, o dias do mês “Sek”, por exemplo, era contato como 0 Sek, 1 Sek, 2 Sek….19Sek, 0 Xul, 1 Xul, e por ai vai…


Calendário Asteca, semelhante ao Haab. Também contava 365 dias.


Embora a duração deste calendário seja aproximadamente o ciclo de um ano solar, não se sabe se os Maias preocupavam-se em mantê-lo atualizado. Para compensar esta falta de sincronia, utilizamos o ano bissextos. Não existe evidência alguma que os maias fizeram algo parecido.

Desta forma o Haab acaba sendo algo assim como para nos o mês, cuja duração de 30 dias se relaciona com as fases lunares, embora não mantêm coerência nenhuma com elas. Um dos único calendários que mantém harmonia perfeita com a Lua é o Muçulmano, onde os meses sempre e iniciam na lua nova. O Ciclo de Calendário Para contagens de tempo maiores, os Maias combinaram o Tzol’kin e o Haab para criar um novo calendário. Com esta combinação era possível chegar a um ciclo de 18.980 dias (mínimo múltiplo comum entre 260 e 365. Após este período o ciclo recomeçava, com a repetição dos dias. Veja na figura abaixo:


Combinação do calendário Haab e Tzolkin. Ciclo de 18.980 dias.


O ciclo de 18.980 dias corresponde aproximadamente a 52 anos do Haab, ou exatamente 51 anos e 353 dias solares. Os Maias e principalmente os Aztecas, davam importância transcendental a este período. Eles acreditavam que ao fim de cada ciclo, deveriam renovar seu contrato com os Deuses, o que permitira a continuidade ou não de suas existências.

Um dos rituais criados pelos Maias para este momento é o jogo de bola, que representava também a lenda dos guerreiro que desafiaram os deuses. O time perdedor era sacrificado aos Deuses. Os Maias criaram o primeiro estádio do mundo, mas isto é assunto para outro post. Veja figura abaixo:


Campo de jogo de bola de Monte Albán (Zapoteca) – Méxic


O Calendário Conta Longa

Os calendários Haab’ e Tzolk’in identificavam e nomeavam os dias. A combinação de uma data Haab com uma data Tzolk’in era suficiente identificação de uma data específica para a maioria das pessoas, pois 52 anos era mais que a expectativa de vida local. Este período de 52 anos (365 x 260 dias) é geralmente designado como ciclo calendárico ou roda calendárica.[2]

Para contagem de períodos maiores do que 52 anos, os mesoamericanos (Astecas, Incas e Maias) conceberam o calendário de contagem longa. Possui um ciclo de 5.125 anos e 132 dias.

O calendário de conta longa identifica uma data através da contagem dos dias desde 11 de Agosto de 3114 a.C. (no calendário gregoriano), data em que pesquisadores descobriram após pesquisa dos códices e escrituras Maias.

Como já dito, a contagem Maia era vigezimal e não decimal, como atualmente. Desta forma, 0.0.0.2.5 é igual a 45, e 0.0.0.3.7 é igual a 67.

Mas a contagem longa não permanece na base 20 integralmente. O terceiro dígito, central, conta até 18 antes de voltar a zero. Assim, 0.0.1.0.0 não representa 400 dias, mas sim 360.

A tabela abaixo mostra os períodos equivalentes bem como as designações Maias para cada etapa:

Dias

Período de contagem longa

Período de contagem longa

Nº anos solares (aprox.)1= 1 K’in20= 20 K’in= 1 Winal1/18360= 18 Winal= 1 Tun17,200= 20 Tun= 1 K’atun20144,000= 20 K’atun= 1 B’ak’tun395

Em um sítio arqueológico olmeca (civilização anterior aos Maias) foi descoberto a segunda data em contagem longa mais antiga descoberta até ao momento. Foram descobertos os numerais 7.16.6.16.18. Foi possível chegar a data correspondente em nosso calendário com a análise de cada valor, conforme imagem abaixo:7× 144000= 1 008 000 dias (k’in)16× 7200= 115 200 dias (k’in)6× 360= 2 160 dias (k’in)16× 20= 320 dias (k’in)18× 1= 18 dias (k’in) Total de dias= 1 125 698 dias (k’in)

Deste modo, a data corresponde a 1.125.698 dias desde 11 de Agosto de 3114 a.C., ou 1 de Setembro de 32 a.C..

Um novo ciclo. E não o fim

Como podemos observar, os Maias contavam os períodos de tempo por meio de diferentes calendários que representavam ciclos que se repetem infinitamente.

A data de 21 de dezembro de 2012 seria sim, extremamente importante para os Maias, pois encerra um ciclo de 5.125 anos e início do 13o Baktun. A celebração desta data seria para a preparação de um novo ciclo, de uma renovação de “contrato” com os Deuses. Até a data de 7.137, estaremos neste novo ciclo.

“Teremos uma mudança de ciclo do calendário. Não existe nenhum documento ou registro, seja ele qual for, em que os Maias citaram que essa data significaria o final dos tempos. Para eles, iremos entrar em um novo tempo, um novo ciclo”, afirma o historiador Marcelo Lambert

Veja abaixo a tabela com a contagem das datas até hoje:Contagem longaData Gregoriana0.0.0.0.011 de agosto de 3114 a.C.1.0.0.0.013 de novembro de 2720 a.C.2.0.0.0.016 de fevereiro de 2325 a.C.3.0.0.0.021 de maio de 1931 a.C.4.0.0.0.023 de agosto de 1537 a.C.5.0.0.0.026 de novembro de 1143 a.C.6.0.0.0.028 de fevereiro de 748 a.C.7.0.0.0.03 de junho de 354 a.C.8.0.0.0.05 de setembro de 41 d.C.9.0.0.0.09 de dezembro de 43510.0.0.0.013 de março de 83011.0.0.0.015 de junho de 122412.0.0.0.018 de setembro de 161813.0.0.0.021 de dezembro de 2012

O que fazer hoje?

Esta data representa, mesmo que simbolicamente, o fim de um tempo e início de outro. Como podemos observar ao longo da história moderna, não estamos evoluindo de modo apropriado, nem em termos ambientais, nem em termos humanos.

Muito se fala da chegada de uma “Nova Era”, um novo nível de consciência. Se repararmos, isto parece de fato estar acontecendo. Atualmente é normal ouvir pessoas falar sobre meditação, acunpultura, espiritualidade, e outros assunto que há apenas 15 anos seriam recebidos com muito preconceito e rejeição pelas pessoas.

Portanto, aproveite esta data, 21 de dezembro de 2012, para meditar. Pode ser sozinho ou em grupo. Coloque uma música relaxante. Reflita nesta necessidade de mudança do planeta. Medite sobre uma nova Terra, mais fraterna e consciente.

Para finalizar, segue abaixo a música chamada “Só imaginar”, de Arleno Farias, que considero muito apropriada para uma reflexão sobre esta data.

“Imagine a Paz e o Amor.

Diferenças de credo ou de cor.

Esquecer todo o ódio e rancor, que existe entre nós.

Imagine o mundo sem guerra, onde a arma usada é o Amor.

Todos juntos unidos em um só coração.

Só lembrar o que o poeta escreveu

Sei que não sou apenas um sonhador

Que já não estou mais sozinho, neste sonho bom,

Se você quiser compreender, que o futuro depende de nós

De mãos dadas seguir o caminho da Paz

É só imaginar um mundo melhor, e a história que eu já sei de cor. Esperar, conseguir, um final feliz.”

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Fabiano Porto 2019 - Copy - Copy (2).jpg

Fabiano Porto

Jornalista cofundador do Instituto Regeneração Global e movido a compartilhar as evidências da transição planetária e a nova consciência de regeneração.

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